Mesa de RPG: O Despertar dos Ecos - Sessão 01

Resumo da primeira sessão da Campanha: A Promessa da Serpente, cuja aventura se chama "O Despertar dos Ecos".

Mesa de RPG: O Despertar dos Ecos - Sessão 01

Diário de Campanha: O Despertar dos Ecos

Sessão 1: Frequências Quebradas

O mundo sempre teve suas rachaduras. Veios finos na porcelana da realidade, por onde o impossível às vezes escorria. Eram os contos de fadas, as lendas urbanas, os fantasmas ao pé da cama que os adultos aprendiam a esquecer. Mas em 2030, as rachaduras começaram a se alargar.

Não foi um terremoto, mas um zumbido baixo e persistente. Um chiado sob a superfície de tudo. Uma dissonância que se infiltrava na tecnologia, nos sonhos e nas almas mais sensíveis. Alguns a chamavam de "Estática". Era o som do Véu se esgarçando.

E para um punhado de almas espalhadas pelo globo, o zumbido estava prestes a se tornar um grito.

 

Dr. Sojo Tanjiro (Tóquio)

A exaustão de um plantão de 36 horas no Hospital Central Meiji era uma névoa na mente do Dr. Sojo. Foi por isso que ele não confiou no que viu. Ao passar pela enfermaria, o monitor cardíaco de um paciente piscou. Por uma fração de segundo, o ritmo constante do pulso foi substituído por um símbolo arcano, um "A" estilizado, que queimou na tela antes de sumir.

A voz do paciente o trouxe de volta. "Doutor?... O senhor está aí há meia hora, parado, olhando para a tela." Meia hora. Para Sojo, havia sido um instante.

A dissonância o seguiu. No dormitório, o sono o venceu, mas não trouxe descanso. Um sonho vívido o tomou: um pica-pau espectral bicava o capô de seu carro. Olhando através do motor, que se tornou uma luneta para o impossível, ele viu um apartamento do outro lado do mundo. Viu uma mulher de cabelos escuros pintando um cão-leão de cerâmica. Um Koma-Inu. E então, ela olhou para ele.

Sojo acordou com o grito da Dra. Midori, caído no chão frio do vestiário. Teria sido só um sonho? Ao sair do dormitório, viu uma senhora idosa no corredor, esperando alta. Em seu colo, calmo e terrivelmente real, estava um pica-pau, idêntico ao de seu sonho.

 

Maya Fernandes (São Paulo)

Maya acordou do transe com a tinta secando na tela. Ela não se lembrava de ter pintado, mas lá estava ele: um Koma-Inu que a encarava de volta, com uma lágrima de lama negra parecendo úmida em sua face de cerâmica. O vibrar do celular quebrou o silêncio. Era Leo. A exposição. Ela estava atrasada.

No elevador, um encontro casual: Letícia, uma jovem grávida segurando uma cesta de livros de arte. "São para minha mãe", ela disse. "Ela é cartomante." Um cartão de visitas trocou de mãos.

Na galeria, Leo a recebeu com alívio e uma notícia impossível. "Você vendeu um quadro! O Koma-Inu." Maya gelou. Como? Ela acabara de pintar o seu. Mas lá estava ele, pendurado na parede, uma réplica perfeita do quadro em seu apartamento, com uma etiqueta de "Vendido". A compradora era uma inglesa chamada Elena Besson.

Enquanto Maya encarava a cópia impossível de sua própria obra, as luzes da galeria piscaram e morreram. E do lado de fora da janela, flutuando contra o céu noturno, ela o viu. O homem de seu sonho. O médico de Tóquio. Translúcido, fantasmagórico, ele a encarava. E então, desapareceu.

 

Tetsukawa Kazashima (Tóquio)

A madrugada em Tóquio era um mar de neon e silêncio. Jennifer dormia, mas Tetsukawa não conseguia. As memórias de seu mundo antigo, dos Adventos, de sua filha, pareciam ecos frágeis, se apagando.

O telefone tocou. Um número bloqueado. Silêncio, uma respiração. Duas palavras. "Eles colhem." A ligação caiu.

O sono que veio depois foi pesado, visitado por um sonho que não parecia ser seu, mas de Jennifer. Um terreno baldio. Uma droga desconhecida. E as mesmas palavras ecoando: "Eles colhem." Ao amanhecer, a decisão foi tomada. Jennifer iria atrás da geografia daquele sonho; ele iria ao único lugar onde a "colheita" era visível: o Hospital Meiji.

 

Lucas Gallagher (Londres)

Lucas não caçava fantasmas, mas encontrou um em um único frame de vídeo. Investigando o roubo da Tabuleta Sumeriana, ele enviou o arquivo de segurança para um hacker. A resposta veio horas depois: um frame congelado. Nele, brilhando no chão do museu, estava o símbolo. Um "A" arcano.

A curiosidade virou obsessão. Ele desenhou o símbolo em um papel. A tinta mal secou e um buraco se formou no centro, não um rasgo, mas uma queimadura limpa, uma lente. Olhando através dela para o vídeo, a realidade se dobrou.

Ele viu o que as câmeras não viram: uma mulher elegante, de colar, atravessando a segurança como um fantasma. O símbolo se formava a seus pés enquanto a tabuleta flutuava em seu rastro. Ele agora tinha um rosto. E tinha um símbolo. A caçada havia começado.

 

Vlarion Kurohona (Tóquio)

Na quietude da mansão de sua falecida mentora, Dona Emiko, Vlarion estava perdido. Os diários dela eram um labirinto; a "lama negra", um enigma. "Onde está?", ele sussurrou para o vazio.

A resposta veio do telhado. Uma batida. Rítmica. Insistente. Um pica-pau.

O pássaro o guiou, não com palavras, mas com o bico, batendo na madeira de uma estante até revelar um caderno esquecido. Dentro, uma foto. O Koma-Inu. Uma das duas estátuas do altar de Emiko. Vlarion correu para verificar o altar, apenas para confirmar: uma peça havia sumido.

As anotações no caderno eram apressadas. Uma negociação. Um número de telefone no Brasil. Uma loja de antiguidades em São Paulo, no Bairro da Liberdade. A pista era, enfim, real.

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